Dias como os de hoje fazem uma voz inconveniente gritar dentro de mim: IMPOSTORA!
Eita vozinha chata, vou te contar...
Essa voz diz:
"Será que você é capaz mesmo?"
"Cadê os textos do blog que você ainda não postou?"
"Cadê os livros que você ainda não terminou, nem divulgou?"
"Cadê o projeto do podcast que você já roteirizou mas não começou a gravar?"
"Cadê o projeto cultural lindíssimo que você está editando?"
"Cadê seu tempo de qualidade com a filha e com o amor da sua vida, você está dormindo a dois dias, perdendo tempo?"
"Cadê você investindo na sua empresa e no seu estúdio?"
"Cadê você postando seu conteúdo sobre sobreviver ao abuso, sobre superação, se você não consegue nem falar porque cansa, não consegue nem escrever porque dói demais os dedos e a mente trava do nada?!"
"Cadê sua presença no trabalho atendendo os pacientes com amor, humanização e respeito, você nem consegue ficar de olhos abertos?
"Você nem consegue se levantar dessa cama sem ajuda, quem dirá fazer alguma coisa por outra pessoa."
"Você nem consegue tomar banho sem ajuda, quem dirá colocar em prática um projeto de grande escala"
Sim, são essas coisas que a voz da impostora diz. E por incrível que pareça essas acusações não são feitas por um hater ou por alguém que me quer mal, ou tem inveja de mim, essas acusações são feitas pela minha própria mente.
Em frações de segundos essas sentenças acusatórias formam um caos na minha mente, me obrigando a lembrar com uma força hercúlea quem eu sou, cm objetivo claro de sobreviver a essa tal síndrome do impostor.
A minha condição física e psicológica não me define, um momento não é uma vida, a vida real e seus desafios não devem colocar em xeque tudo o que você sabe que é, suas habilidades, suas conquistas e suas capacidades.
A fibromialgia é um inimigo invisível contra o qual já luto desde o ventre da minha mãe, e quando ela decide fechar as portas da cela e me aprisionar por completo dentro de si, fazendo do meu próprio corpo a minha prisão, reconhecer minhas capacidades, habilidades e conseguir acreditar nas minhas conquistas e sucesso é muito difícil.
Sinto uma vontade enorme de apagar todos os meus vídeos, todos os meus textos, minhas redes sociais, engavetar meus livros e meus projetos e nunca mais ousar fazer alguma coisa que possa parecer com algo fraudulento, que me faça parecer uma farsante uma impostora.
Contudo, não será agora, e talvez nunca, que me renderei a essa tal síndrome do impostor, vou reconhecer com uma resiliência, também insistente, que essas emoções não são reais, escrever e compartilhar sobre isso é enfrentar o peso da autocrítica, e creio que postando isso para que você leia e ouça, você também possa se reconhecer mais como uma pessoa digna de honra e respeito do que como um impostor ou uma impostora.
Esses pensamentos de insuficiência e mediocridade, são apenas pensamentos que não devem ser alimentados, são apenas partes de um fenômeno psicológico, o medo de ser "desmascarada" é apenas resultado de uma mentira que meu cérebro cansado conta, e eu decido não acreditar.
Sentir incapacidade é um sentimento de insuficiência que nem merece ser levado em consideração e deve ser confrontado com a simples capacidade de escrever essas linhas, gravar esse vídeo, postar e acreditar que conteúdos bons devem ser compartilhados, não porque me sinto capaz, mas porque algumas emoções negativas não devem ser consideradas.
Considero dias de dor, cansaço, perda, dias em que compromissos são adiados, a agenda é parada, os projetos são colocados de lado, prazos são perdidos e a mente sofre ataques da fibrofog, são dias de reparo, e não de retrocesso, todos essas dias em que a cama, a medicação e a espera são as únicas opções, são dias de luta, e também são dias de glória, porque uma mente que consegue lembrar quem você é quando tudo grita "impostora!", já é uma mente de sucesso.
Mais de 500 anos antes de Cristo Jeremias escreveu "Quero trazer à memória o que pode dar esperança."(Lamentações 3:21) e eu decido fazer isso hoje, 2026 anos depois d'Ele. E eu espero que você também traga â sua memória o que pode te trazer esperança em dias em que você se sentir um impostor ou uma impostora.
E por aqui, eu vou seguir colocando a voz da impostara no volume mudo, e seguirei falando, escrevendo e postando!
Beijo na alma e até mais!
Danny Noronha
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| Algumas vezes a nossa aparência vai dizer mais sobre nossa capacidade de sobrevivência e sobreviver também é importante! |
